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  • Jorge Barros

Coronavírus: Consumidores dão exemplo a grandes empresas


Não posso dizer que existe algum aspecto positivo em uma pandemia, mas posso afirmar que tenho testemunhado lindas atitudes positivas em relação a ela. Atitude é diferente de comportamento. Ela é quem dispara o comportamento. Atitude é a predisposição interna que antecede a ação. E não me lembro quando foi a última vez que vi tantos exemplos de atitudes e comportamentos altruístas ao nosso redor em relação a um problema a ser resolvido.


Quando falo de positividade, não me refiro aos negacionistas, àqueles que preferem fechar os olhos ao problema, fingindo que não existe. Fazer de conta que está tudo bem não é ser positivo. A positividade tem a ver com reconhecer o problema e encontrar formas de o solucionar, combater ou diminuir seus impactos. E, neste caso, não precisamos de pânico, e sim de responsabilidade e disciplina.


Este período de crise imposto pelo novo coronavírus, apesar de triste, tem trazido lindos exemplos de pessoas responsáveis e dispostas a contribuir para preservar os outros. Inúmeros condomínios residenciais têm relatos de moradores se voluntariando a fazer compras para vizinhos idosos. Profissionais das áreas de saúde, jornalismo, segurança, dentre outras que não podem parar, têm se desdobrado ao longo dos dias em prol de contribuir com a população. E um fenômeno, em especial, tem me chamado muito a atenção.


Tenho visto em diversos lugares pessoas se preocupando com pequenas empresas locais. Aqui, me refiro aos consumidores mesmo, pessoas físicas. Muitas estão incentivando seus amigos, familiares e vizinhos a cuidarem de seus pequenos fornecedores. Ou seja, preferir comprar do mercadinho do bairro, continuar pagando seus prestadores de serviços pessoais, como personal trainner, diarista, empregada doméstica, professor de inglês, entre outros. Isto porque é evidente o impacto financeiro direto na vida destes profissionais caso precisem ficar parados. Grandes empresas também sofrerão impactos econômicos ao diminuírem a produtividade, mas muitas delas, provavelmente, continuarão tendo sua margem de lucro líquido, mesmo que menor do que a meta prevista inicialmente. Caso tenham prejuízo no ano, a maioria possui outras provisões, recursos e investimentos para as salvaguardar. Diferentemente destas, os pequenos comerciantes ou profissionais autônomos, em sua maioria, não possuem nenhum fundo de proteção e um mês parado já pode ser fatal para sua sobrevivência.


Essa ação é nitidamente importante. Este comportamento pode ser salvador. Mas, mais do que falar da ação ou do comportamento em si, que é magnífico, gostaria de falar sobre o que o antecede: a consciência e a atitude ou predisposição. Esse senso, essa sensibilidade que, espontaneamente, tocou os indivíduos é o que devemos extrapolar e multiplicar. Assim como cada um de nós temos nossos pequenos fornecedores ou prestadores de serviços a quem desejamos genuinamente salvar, as grandes empresas também possuem sua rede de fornecedores, alguns maiores e outros menores, e deveriam querer preservar também a cada um deles. Tenho visto empresas divulgarem seus cuidados com colaboradores, como, por exemplo, deixando-os de home office ou até dispensando-os temporariamente do trabalho. Tenho visto também diversas iniciativas das empresas para protegerem seus clientes e consumidores, como, por exemplo, veículos de comunicação disponibilizando conteúdos gratuitos a não assinantes de forma educativa e preventiva. Vamos cuidar também dos fornecedores. Não apenas porque todos eles, em maior ou menor escala, são estrategicamente importantes para manter a cadeia ou ciclo de funcionamento da grande empresa. Mas, sobretudo, pelo interesse legítimo em querer preservá-los, para que eles também possam preservar suas pessoas e sua estrutura, mesmo que pequena. Não é preciso que haja um incentivo fiscal ou uma obrigação legal para que grandes empresas olhem para isto. Pode ser uma questão moral. Isso é ser verdadeira e socialmente responsável. Assim como nenhuma pessoa física consumidora foi obrigada a se importar com seus comerciantes locais, as grandes empresas podem seguir o modelo e, além de demonstrar cuidados com seus colaboradores, clientes e consumidores, incluir seus fornecedores, principalmente os pequenos, em sua lista de cuidados. Responsabilidade Social é isso. Faça!

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