O próximo passo da Diversidade: Quem não avançar vai ficar para trás
- Jorge Barros
- 10 de set. de 2025
- 3 min de leitura

No último mês, o Instituto Ethos divulgou a edição 2024/2025 da Pesquisa Época de Diversidade, Equidade e Inclusão, realizada com 224 organizações no Brasil. O levantamento trouxe dados que confirmam uma percepção que venho observando no trabalho com empresas: a pauta de diversidade e inclusão deixou de ser um tema restrito à responsabilidade social e passou a ocupar espaço estratégico na gestão corporativa.
Os números são expressivos. Hoje, 83 das organizações participantes já integram DEI em seus planejamentos estratégicos. Houve avanços em programas de contratação, como o aumento da presença de mulheres (de 55,88% para 59,38%), de pessoas com deficiência (de 67,16% para 69,20%) e de profissionais acima de 45 anos (de 32,35% para 34,38%). Também cresceram as referências a grupos diversos nos códigos de conduta e o engajamento em campanhas de conscientização — como as voltadas para pessoas LGBTI+ (de 88,73% para 91,52%) e povos indígenas (de 50,98% para 53,13%).
Esses avanços merecem reconhecimento, mas não escondem os desafios que ainda estão no caminho. Apenas 23,40% das empresas têm metas salariais para reduzir desigualdades, e pouco mais de um quarto (25,89%) estabelece metas de presença feminina em conselhos. Ações para atração de talentos negros estão em menos da metade das organizações, e esse é apenas um exemplo de que ainda há muito a fazer para transformar boas práticas em compromissos estruturais.
O que está em jogo
A diversidade não é um movimento passageiro. Ela impacta diretamente a capacidade das empresas de dialogar com clientes, acessar novos mercados, atender às expectativas de investidores e reguladores e, sobretudo, criar ambientes de trabalho mais inovadores e sustentáveis. A pesquisa reforça que o futuro exige maior intencionalidade e governança permanente.
Aqui entra um ponto essencial: números e políticas importam, mas sozinhos não sustentam mudanças culturais profundas. É preciso trabalhar a dimensão humana da diversidade — aquilo que move indivíduos e conecta pessoas à pauta de forma genuína. Não basta abrir portas; é necessário garantir que, ao entrar, todos se sintam respeitados, acolhidos e valorizados.
O papel da Fator Diversidade
Na Fator Diversidade, atuamos justamente nesse eixo: o do desenvolvimento humano, das atitudes e das relações. Nosso trabalho busca fortalecer a confiança entre pessoas, alinhar expectativas entre colaboradores e empresas e criar ambientes em que a diversidade seja vivida com respeito e gentileza. Esse é o alicerce para que políticas não se tornem apenas documentos, nem apenas práticas, mas intenções. Quando as intenções por trás das práticas são genuínas, o engajamento é maior e mais real.
Dicas para profissionais de RH e lideranças
Para quem atua em Recursos Humanos ou ocupa posições de liderança em outras áreas, mais do que implantar práticas de diversidade e inclusão, é essencial garantir que essas práticas sejam movidas por intenções genuínas. Só assim colaboradores percebem coerência, aumentam a confiança e se engajam de verdade. Alguns caminhos importantes:
Alinhe intenção e prática – políticas e programas só têm força quando são sustentados por uma convicção real de que a diversidade é um valor da empresa, não apenas uma exigência externa.
Mostre autenticidade – comunique de forma clara o porquê das ações de DEI, para que as pessoas entendam que não são medidas cosméticas, mas parte da identidade organizacional.
Fortaleça relações de confiança – intencionalidade genuína se prova no dia a dia, no respeito, na escuta ativa e na abertura ao diálogo.
Inspire pelas lideranças – quando líderes demonstram, com atitudes, que acreditam no valor da diversidade, o engajamento das equipes cresce de forma natural.
Construa evolução contínua – intenções verdadeiras não buscam apenas resultados imediatos, mas constroem trajetórias consistentes de aprendizado e melhoria.
A pauta de DEI continua mais viva do que nunca. Empresas que não se comprometerem de forma estruturada e humana correm o risco de ficar para trás — não apenas no mercado, mas na construção de relações de confiança com seus próprios colaboradores.
Na Fator Diversidade, acreditamos que o futuro é construído quando as organizações entendem que diversidade não é um adendo, mas parte do seu DNA. Estamos prontos para apoiar empresas a transformar boas intenções em resultados concretos e sustentáveis.







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